A terapêutica anticoagulante na fibrilhação auricular (FA) divide-se em 2 grupos principais:
Os antagonistas da vitamina K inibem os fatores de coagulação (II, VII, IX, X) e incluem:
A varfarina é o antagonista da vitamina K mais frequentemente utilizado.
A principal desvantagem da varfarina é a necessidade de monitorização regular do INR, que deve ser mantido entre 2–3,
Na prática clínica, os NOAC são utilizados com maior frequência, uma vez que não requerem monitorização do INR. Em ensaios clínicos demonstraram:
Existem 4 NOAC disponíveis; três inibem o fator de coagulação Xa e um inibe o fator IIa:
Em doentes com peso corporal >120 kg ou IMC >40 kg/m2
| NOAC (Anticoagulantes Orais Não Vitamina K) | |||
|---|---|---|---|
| NOAC | Posologia padrão |
Critérios de redução de dose | Dose reduzida |
| Apixabano (Eliquis) |
5 mg duas vezes por dia |
Recomenda-se redução da dose se estiverem presentes pelo menos dois dos seguintes critérios:
|
2,5 mg duas vezes por dia |
| Dabigatrano (Pradaxa) |
150 mg duas vezes por dia |
Recomenda-se redução da dose se estiver presente pelo menos um dos seguintes critérios:
|
110 mg duas vezes por dia |
| Edoxabano (Lixiana, Savaysa) |
60 mg uma vez por dia |
Recomenda-se redução da dose se estiver presente pelo menos um dos seguintes critérios:
|
30 mg uma vez por dia |
| Rivaroxabano (Xarelto) |
20 mg uma vez por dia |
Recomenda-se redução da dose se:
|
15 mg uma vez por dia |
ClCr – clearance de creatinina, DRGE – doença do refluxo gastroesofágico
| Efeitos adversos dos NOAC | |
|---|---|
| Efeito adverso | Risco anual (%) |
| Hemorragia minor (epistaxe, equimoses) | 10 – 15 % |
| Dispepsia (especialmente com dabigatrano) | 5 – 10 % |
| Hematúria | 1 – 3 % |
| Anemia (secundária a hemorragia) | 1 – 3 % |
| Náuseas | 1 – 3 % |
| Hemorragia major | 1 – 2 % |
| Hemorragia gastrointestinal | 1 – 2 % |
| Hemorragia intracraniana | < 1 % |
| Elevação das enzimas hepáticas | < 1 % |
| Reações alérgicas / de hipersensibilidade | < 1 % |
| Disfunção renal (raramente em contexto de desidratação / hemorragia) | < 1 % |
| Trombocitopenia | < 1 % |
Com base em dados de ensaios clínicos, existem 3 situações clínicas nas quais os doentes com FA devem receber anticoagulação independentemente do score CHA2DS2-VA:
A principal razão pela qual a varfarina é mais eficaz na FA valvular é:
| Terapêutica anticoagulante e fibrilhação auricular | Classe |
|---|---|
Na fibrilhação auricular valvular:
|
I |
| Durante terapêutica com varfarina, recomenda-se um INR alvo de 2–3. | I |
| Recomenda-se a mudança de varfarina para NOAC se a anticoagulação for inadequada (Tempo em Intervalo Terapêutico < 70 %). | I |
| A redução da dose de NOAC é recomendada apenas se os critérios de redução de dose estiverem cumpridos. | I |
| Em doentes com peso corporal >120 kg ou IMC >40 kg/m2, recomenda-se varfarina de acordo com o score CHA2DS2-VA. | I |
| Em doentes com peso corporal >120 kg ou IMC >40 kg/m2, os NOAC podem ser considerados de acordo com o score CHA2DS2-VA. | IIb |
Estas diretrizes são não oficiais e não representam diretrizes formais emitidas por qualquer sociedade profissional de cardiologia. Destinam-se apenas a fins educacionais e informativos.